Sobre recomeços

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Iniciamos o terceiro mês do ano e com ele esperamos que várias coisas aconteçam. Como aquela ligação para vaga de emprego que você tanto queria ou até mesmo uma mensagem de alguém especial. Ou, o mais importante de todos, que nós possamos sair da nossa zona de conforto e começar tudo aquilo que planejamos para 2017.

Esse ano, mais uma vez, não estipulei nenhuma meta grandiosa e nem uma lista sem pé nem cabeça. Mas tenho vários planos para fazer esse ano ser tão incrível quanto 2016 foi para mim.

E com o Carta em Branco não poderia ser diferente, ele também vai recomeçar, mas não aqui. Essa carta chegou ao fim e está pronta para contar novas histórias em nosso novo site. É isso mesmo! Agora o Carta em Branco é:

Cartaembranco.com.br

Espero ver você por lá! Teremos mais cartas, crônicas, resenhas de livros e séries, e muito, muito mais!

Um beijo,

Agnes Martins

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O tempo que passou

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Ah, como eu odeio momentos como esses. Momentos em que tenho tanto pra dizer, mas ao mesmo tempo me faltam palavras. Os pensamentos ficam embaralhados e as lembranças se misturam. Sabe, esses dias me lembrei de como a gente se conheceu. Um momento tão simples, mas cheio de memórias. Trocamos várias palavras e alguns beijos. Nossa primeira vez juntos, a primeira de muitas. Ali eu já deveria ter percebido que não éramos certos um para o outro. Eu com meu jeito despojado e você com seu jeito tímido.

Nossos amigos não entendiam. Acho que até hoje eles não entendem nem metade o que éramos juntos. Talvez, até eu tenha imaginado demais. Só que nós dois, não nascemos para ficar juntos, nascemos para aprender. E eu aprendi.

Aprendi que eu buscava relacionamentos sem futuro. Aprendi que  buscava alguém que não me desse segurança, porque naquele momento, não era isso que eu queria – e nem o que eu precisava – e nós dois vivemos assim por um bom tempo.

Hoje sigo minha vida sem ninguém, não porquê não me envolvi, simplesmente por que não quero ter ninguém na minha vida agora. Você, diferente de mim, foi encaixando pessoas e pessoas na sua vida, cada uma te marcado de uma maneira. Espero que você tenha aprendido a sua lição, pois estou aprendendo a minha todos os dias.

Se a gente se encontrar um dia me desculpe se eu te ignorar, não é por que não superei você. É por que o nosso tempo já passou. E quando o tempo passa, não adianta ficar dizendo ‘olá’ pra ele o tempo todo.

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Nossos primeiros encontros

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A gente se esbarrou ali pela primeira vez. Um ‘me desculpe’ baixinho saiu dos seus lábios e um sorriso torto de compreensão saiu do meu. Seguimos nossos caminhos como os perfeitos estranhos que éramos. Contei três passos e olhei para trás, tínhamos virado no mesmo instante. Sorrimos um para o outro, só que não voltamos atrás para conversar. Era estranho quando encontrávamos com pessoas na rua assim, por que não voltávamos atrás?

Na segunda vez, a confusão foi um pouco maior, todos os meus livros caíram aos seus pés depois de um tropeço desajeitado. Você riu e eu fiquei sem graça enquanto recolhia minhas coisas. Enquanto ria, você se abaixou e me ajudou a pegar meus livros. Mais uma vez ouvi aquele ‘me desculpe’ e eu sabia que era pela risada que saiu automaticamente. Eu sorri e me apresentei ‘Bruno, o desajeitado’. Com o rosto vermelho, não por timidez, mas pela risada, se apresentou também ‘Ana, a risonha’. Mais uma vez seguimos nossos caminhos, acho que você não me reconheceu e se o fez, não quis mencionar.

Lá para a oitava ou nona vez que nos esbarramos, ninguém estava contando – ou será que eu estava -, nos encontramos num bar. Cidade pequena, amigos conhecidos. Os seus amigos conheciam os meus e nós finalmente paramos para conversar. Dessa vez você me reconheceu, ‘Bruno, certo? ’. Nossas conversas foram dos encontros pela cidade, nossos signos e o que fazíamos da vida. Ana, a risonha, era professora numa escolinha perto da rua do primeiro esbarrão. Contei que era designer numa agência perto da rua em que os livros foram derrubados.

Na hora de ir embora não teve beijo de despedida, mas teve troca de telefones para que a conversa continuasse pelo whatsapp. Conversamos por dias antes do nosso primeiro encontro, nesse dia teve um beijo de despedida. E depois desse dia aconteceram muito mais conversas – e muito mais beijos -, e desde então estamos juntos. E eu só escrevi isso tudo pra te mostrar que lembro do nosso primeiro esbarrão, aquele em que a gente só trocou olhares e sorrisos tímidos. Se eu tivesse voltado atrás e conversado com você naquele dia, talvez nossa história não tivesse metade desses momentos ou nunca tivesse acontecido. Algumas coisas só acontecem no tempo em que devem acontecer e para nós dois, foram necessários oito ou nove encontros pelas ruas da cidade.

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