Nossa maior memória

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Entrar naquele quarto vazio nunca pareceu tão sem sentido pra mim. Nossas coisas não estavam mais ali, você tinha ido embora e eu finalmente tinha começado a mudança para um novo apartamento. Mas ainda tinha aquele peso de nós dois ali. Eu nunca pensei em te chamar outra vez e te pedir para voltar, porém as memórias ainda mexiam comigo. A primeira vez que você veio aqui, nosso primeiro jantar romântico, o pedido de namoro e o pedido de casamento.

Tanta coisa, tantas memórias. Engraçado que num piscar de olhos tudo desmoronou. Mentira, não foi num piscar de olhos, foi aos poucos, até a última gota fazer o copo transbordar. Mas aquele dia, tudo desabou de uma vez só. Aquela briga, onde nós dois falamos tantas coisas que estavam presas em nossa garganta. Eu não me lembro de tudo, lembro das coisas quebrando, dos gritos, das portas batendo, as lágrimas e o fim unânime da nossa relação.

Eu te disse para ir embora. Enquanto você gritava no lado de fora da porta, eu jogava tudo que te pertencia dentro daquela mala. Entreguei suas coisas sem nenhum tipo de peso na consciência, você precisava ir e só eu podia te mandar embora. Nós tivemos bons momentos juntos, instantes que eu só pensava em ficar com você, sem nenhum tipo de medo ou receio. Só que depois de um tempo, esses momentos começaram a diminuir, até que um dia, eles só apareciam durante aqueles momentos dos quais nós conversávamos sobre tudo que nos incomodava. Você melhorava dois, três, quatro dias, não mais que isso. E tudo voltava a ser com era antes.

Por mais que eu te amasse, eu não poderia continuar assim, presa em um relacionamento que não acrescentaria mais nada para nós dois. Por mais que eu te amasse, eu tinha aprendido a me amar mais ainda. Então, pensando em mim, tomei a decisão de te mandar embora da minha vida sem permissão para voltar. E por isso eu vendi esse apartamento. Não queria me lembrar de mais nada sobre nós, não queria ser torturada por essas memórias que mexiam comigo. Então eu acabei com a nossa maior memória, onde tudo de bom e ruim aconteceu, e agora, fechando a porta desse lugar vazio, posso respirar tranquilamente e partir sem medo de olhar para trás.

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Agnes Martins

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